O Del Rey na rodoviária
Del Rey Ouro Bege junto ao terminal: placa amarela antiga, porta amassada e lanterna traseira quebrada — os detalhes que chamaram a atenção de Rogério.
Um Del Rey Ouro Bege. Uma música de viola. Uma chave que não pode ser abandonada.
A Lebre recebeu uma carta sem remetente. Dentro do envelope, uma observação: ‘Meu pai pediu que isso fosse divulgado somente após sua morte.’ As páginas eram assinadas por Rogério, um ex-policial rodoviário que carregava aquela história havia décadas. O relato chega ao acervo sem comprovação de autenticidade.
Tudo começou em 2007, às 03h33, numa madrugada fria perto da rodoviária de uma pequena cidade do interior. Rogério viu um Ford Del Rey Ouro Bege com placa amarela antiga, porta do motorista amassada e lanterna traseira quebrada. Um senhor de chapéu marrom, camisa azul e olhos verdes fechou o porta-malas e saiu no carro, mascando um palito de dentes.
Durante a perseguição, o Del Rey ganhou uma velocidade que Rogério julgava impossível. Uma canção de viola, lenta e sombria, acompanhava o veículo. Numa curva sem saídas, o carro desapareceu. Na manhã seguinte, o corpo de uma jovem foi encontrado atrás do terminal, sem a língua. A descoberta levou Rogério a pesquisar um caso antigo no Paraná: um homem morto dentro de um Del Rey da mesma cor, suspeito de um crime semelhante.
No boletim antigo constava ‘Veículo sem chave no local’, mas uma fotografia mostrava uma chave na mão do homem morto. Após seu afastamento da polícia, Rogério procurou um policial aposentado que atendera a ocorrência. Ele confirmou que a chave fora retirada da mão, colocada no painel e desaparecera depois que o rádio do Del Rey ligou sozinho, tocando viola. Dois dias após a conversa, o aposentado foi encontrado morto. Rogério passou a relacionar outras mortes ao contato com a chave.
Anos depois, um colecionador no interior do Paraná entregou a chave a Rogério. Ao tocá-la, um rádio ligou sozinho. Na viagem de volta, o Del Rey reapareceu, atingiu seu carro e o fez sair da rodovia, entrando num milharal. Rogério relata ter escapado de uma figura com o mesmo chapéu, os mesmos olhos verdes e uma aparência que já não parecia humana.
Ao amanhecer, Rogério buscou ajuda numa igreja do interior de São Paulo. O padre colocou a chave numa caixa antiga e explicou que ela precisava de um guardião: não deveria ser abandonada nem passar a mãos curiosas. Rogério a guardou pelo resto da vida. Após sua morte, a filha enviou o relato e o objeto à Lebre. A carta termina com um alerta: se o padrão continuar em 2027, recuse caronas de um senhor num Del Rey Ouro Bege — e não olhe para trás ao ouvir a viola.
Um homem é encontrado morto num Del Rey Ouro Bege. O boletim registra a ausência da chave, mas uma fotografia mostra o objeto em sua mão.
Rogério segue o homem de chapéu marrom. Ao som de viola, o carro acelera e desaparece numa curva sem saídas.
A descoberta de uma jovem morta leva Rogério a buscar registros de um crime semelhante no Paraná.
Um policial confirma o desaparecimento da chave após o rádio ligar sozinho. Dois dias depois, ele é encontrado morto.
Rogério identifica mortes de pessoas que tiveram contato com o objeto e o encontra com um colecionador no Paraná.
O Del Rey reaparece e atinge seu carro. Rogério relata um confronto com a figura do homem de chapéu.
Um padre entrega uma caixa para dificultar que a presença encontre a chave. Rogério assume a guarda do objeto.
A filha envia a carta e a caixa. A chave passa a integrar os itens guardados no acervo.
Rogério prevê uma nova aparição se o padrão continuar. O relato não estabelece uma data exata nem confirma que ela ocorrerá.
O veículo, a carta e a chave: registros visuais e trechos que ajudam a acompanhar o relato de Rogério.
Del Rey Ouro Bege junto ao terminal: placa amarela antiga, porta amassada e lanterna traseira quebrada — os detalhes que chamaram a atenção de Rogério.
“Essa chave não pode ficar abandonada. Ela precisa de um guardião.”
DOCUMENTO FICTÍCIONa carta, Rogério registra a orientação recebida na igreja: a chave não pode ficar abandonada e precisa de alguém que a guarde.
A chave é o elo entre a fotografia antiga, o relato do policial aposentado e a coleção encontrada por Rogério. As imagens mostram o objeto e o detalhe da gravação.
Registro visual da chave guardada. No relato, a caixa entregue pelo padre dificulta que a presença encontre o objeto; depois da morte de Rogério, ele chega à Lebre pelas mãos de sua filha.
Chapéu marrom e camisa azul, junto ao Del Rey na rodoviária: a figura descrita por Rogério antes da perseguição das 03h33.
Retrato associado ao homem do Del Rey. Os olhos verdes e o rosto marcado ajudam a acompanhar a descrição; sua identidade permanece desconhecida no relato.
Ficha visual com retratos, características e anotações sobre o suspeito. A data de 1987 inscrita no documento não altera o início do relato de Rogério, em 2007.
Chapéu marrom, camisa azul, olhos verdes e palito de dentes: os sinais que Rogério reconhece tanto no terminal quanto no encontro da viagem de volta.
O carro parado na estrada, com o homem no banco do motorista, remete ao caso antigo do Paraná que Rogério encontrou nos registros de sua investigação.
Espaço reservado para o vídeo do canal A Lebre. Nenhum vídeo foi vinculado nesta etapa.